Raymundo Paraná aponta interesses econômicos por trás da crise na formação médica e da fake medicina

A expansão dos cursos de medicina sem planejamento e o avanço da chamada "fake medicina" estão relacionados, na avaliação do hepatologista Raymundo Paraná...

Raymundo Paraná aponta interesses econômicos por trás da crise na formação médica e da fake medicina
Raymundo Paraná aponta interesses econômicos por trás da crise na formação médica e da fake medicina (Foto: Reprodução)

A expansão dos cursos de medicina sem planejamento e o avanço da chamada "fake medicina" estão relacionados, na avaliação do hepatologista Raymundo Paraná, a interesses econômicos, falhas na regulação e à atuação de profissionais nas redes sociais. Em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar, nesta quinta-feira (13), ele afirmou que a abertura de escolas ocorreu sem critérios suficientes para garantir a qualidade da formação e criou um cenário favorável à transformação da medicina em negócio. “Tem muita gente querendo ser médico, tem muito pai que paga qualquer coisa para isso, e agora o Estado financia [...] E aí começa a atrair investidor. E o investidor quer o quê? Remunerar o dinheiro dele. O investidor nem vai ser atendido por um médico que ele formou. Ele não quer nem saber o que ele está formando. Ele quer botar um milhão e quer tirar um milhão e quinhentos em X meses”, afirmou Paraná. Para o hepatologista, a falta de planejamento e de um regulatório adequado permitiu a expansão de instituições sem condições suficientes para formar médicos. Ele também afirmou que a fragilidade da legislação contribuiu para decisões judiciais que permitiram a abertura de novas vagas. Segundo Paraná, o cenário também favoreceu profissionais endividados e sem acesso à residência médica, tornando as redes sociais uma alternativa para buscar ganhos rápidos e difundir tratamentos sem comprovação. “Deturpa-se esse fato real para sua utilização imediata. Cria-se uma situação estarrecedora, como eles usam muito da inflamação. O indivíduo se sente pegando fogo de tão inflamado que ele está. E depois vende uma solução bem fácil. Que só ele tem. Os protocolos que só ele tem. Os soros que só ele tem. E as pessoas adoecem. Quando as pessoas adoecem, eles viram as costas”, explicou sobre como funciona a fake medicina nas redes sociais. Paraná também citou o mercado de chips de testosterona, fórmulas e procedimentos voltados ao rejuvenescimento como exemplos de práticas impulsionadas por interesses comerciais e pela busca por resultados rápidos. Para ele, as redes sociais ajudam a criar padrões de beleza e sucesso que ampliam o consumo desses produtos, enquanto a ausência de responsabilização favorece a continuidade do negócio. Confira a entrevista na íntegra: