Prisão domiciliar de Bolsonaro chega ao fim nesta semana sob novos questionamentos no STF

A poucos dias do fim do prazo inicial de 90 dias da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), previsto para quinta-feira (25), o benefício passo...

Prisão domiciliar de Bolsonaro chega ao fim nesta semana sob novos questionamentos no STF
Prisão domiciliar de Bolsonaro chega ao fim nesta semana sob novos questionamentos no STF (Foto: Reprodução)

A poucos dias do fim do prazo inicial de 90 dias da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), previsto para quinta-feira (25), o benefício passou a ser analisado novamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A situação ganhou novos desdobramentos após a apreensão de uma arma registrada em nome do ex-mandatário, episódio que levou a Corte a solicitar esclarecimentos e tomar novas medidas no processo. A prisão domiciliar humanitária foi autorizada em março, após Bolsonaro ser internado para tratar um quadro de broncopneumonia. Até recentemente, a possibilidade de prorrogação da medida era considerada provável, já que não havia registro de descumprimento relevante das condições impostas pelo Supremo durante o período de recolhimento. Arma apreendida muda cenário O principal fato que passou a ser analisado pelo STF envolve uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma foi encontrada com um militar que integra a equipe de segurança do ex-presidente. Segundo a justificativa apresentada, o armamento estava sendo levado para manutenção por apresentar defeito de funcionamento. Diante do caso, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a Polícia Civil do Distrito Federal a colher o depoimento de Bolsonaro. A oitiva foi marcada para terça-feira (23), às 15h, e deverá ocorrer presencialmente na residência onde ele cumpre a prisão domiciliar, em Brasília. Moraes determinou o formato presencial por causa das restrições impostas ao ex-presidente para o uso de meios de comunicação eletrônicos. STF cobra explicações da defesa Além do depoimento, o ministro abriu prazo de 48 horas para que os advogados esclareçam aspectos relacionados ao cumprimento da prisão domiciliar humanitária. Entre os pontos solicitados estão a comprovação da contratação de um profissional de saúde para acompanhamento noturno e informações sobre a rotina dos agentes de segurança disponibilizados ao ex-presidente. Na última sexta-feira (19), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, protocolou uma petição no STF pedindo a revogação imediata da prisão domiciliar e o retorno de Bolsonaro ao sistema prisional. O pedido foi anexado ao processo e deverá ser analisado pela Corte. O que diz a defesa Em manifestação enviada ao Supremo, os advogados confirmaram que a pistola apreendida está registrada em nome de Bolsonaro. A defesa argumentou que o armamento havia sido entregue a um integrante da segurança para conserto e afirmou que assessores retiraram, por conta própria e sem conhecimento prévio do ex-presidente, o percussor da arma, peça essencial para o disparo. Segundo os advogados, a medida teria sido adotada como precaução em razão do uso de medicamentos psiquiátricos que poderiam afetar a cognição do ex-presidente e aumentar o risco de acidentes domésticos. Com o prazo da prisão domiciliar prestes a terminar, os esclarecimentos solicitados pelo STF e o depoimento marcado para esta semana podem influenciar a decisão sobre a manutenção ou não do benefício.