Presidente do Paraguai renuncia após escândalo bancário e pressão por impeachment
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, decidiu renunciar nesta quinta-feira (5), em meio à maior crise política de seu governo. A decisão ocorreu após o colap...
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, decidiu renunciar nesta quinta-feira (5), em meio à maior crise política de seu governo. A decisão ocorreu após o colapso do banco digital Ueno, que deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às próprias contas, desencadeou manifestações populares e levou o Congresso a iniciar uma ofensiva pelo impeachment de Peña. Em pronunciamento gravado, o presidente paraguaio, expoente da direita do país, afirmou que deixava o cargo em nome da estabilidade nacional, da paz social e da preservação das instituições democráticas. A situação do presidente tornou-se insustentável depois que dois de seus principais aliados, o presidente do Congresso, Basilio Núñez, e o líder do Partido Colorado, o ex-presidente Horacio Cartes, retiraram o apoio ao governo. Núñez chegou a exigir publicamente a renúncia de Peña e anunciou que apoiaria o impeachment caso ele insistisse em permanecer no cargo. A oposição já havia reunido 35 assinaturas entre os 80 deputados para apresentar a acusação formal. O epicentro da crise foi a intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, instituição que apresentou graves problemas de solvência. O banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo aplicações de fundos previdenciários. A suspensão das operações provocou filas de correntistas, protestos em Assunção e temor de prejuízos para trabalhadores e aposentados. O governo anunciou medidas emergenciais para acelerar a devolução dos depósitos. As suspeitas ganharam dimensão política porque Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno até 2025. Parlamentares acusam o presidente de conflitos de interesses, uso irregular de recursos previdenciários e possível encobrimento de falhas institucionais relacionadas à instituição financeira. A crise também provocou a saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado uma empresa antecessora do Ueno. Oito executivos do banco passaram a ser alvo de ordens de prisão. As acusações ainda dependem de apuração judicial. Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do Paraguai. A queda de Peña representa um duro golpe para o Partido Colorado, força política dominante no país, e abre um período de incerteza sobre a capacidade do novo governo de recuperar a confiança no sistema financeiro. Além da sucessão presidencial, o principal desafio será garantir a restituição dos recursos dos correntistas e esclarecer o destino do dinheiro público aplicado no banco.