Por risco de censura em ação contra Lula, corregedor do TSE cobra provas de Flávio Bolsonaro

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, apontou risco de censura em pedidos apresentados pela campanha de Flávio Bolsona...

Por risco de censura em ação contra Lula, corregedor do TSE cobra provas de Flávio Bolsonaro
Por risco de censura em ação contra Lula, corregedor do TSE cobra provas de Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução)

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, apontou risco de censura em pedidos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) contra sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais que manifestam apoio à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ação também pede a cassação das candidaturas de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), sob a alegação de abuso de poder econômico e político. Protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a iniciativa inclui 56 pessoas, entre elas 54 dirigentes de organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A campanha de Flávio sustenta que essas entidades teriam utilizado sedes, funcionários, recursos financeiros e canais institucionais para favorecer os candidatos à reeleição. A defesa do candidato do PL quer impedir que as organizações utilizem suas estruturas para divulgar propaganda favorável a Lula ou contrária a Flávio até o encerramento do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O pedido abrange publicações em redes sociais, jornais sindicais, sites, canais de mensagens e atividades de mobilização eleitoral, além de prever multas em caso de descumprimento. Ao analisar a ação, Cueva cobrou informações complementares e a individualização das condutas atribuídas aos investigados. O ministro também rejeitou o pedido para restringir a distribuição de material eleitoral em universidades públicas, destacando a necessidade de cautela diante da liberdade de manifestação política nesses espaços.  Um dos principais argumentos da campanha de Flávio é a declaração de um dirigente sindical sobre o suposto repasse de recursos para comitês de apoio a Lula em diferentes estados. A defesa considera o episódio um indício de financiamento eleitoral irregular e pede a investigação das despesas das entidades. Contudo, a existência de eventual irregularidade depende da análise das provas e da decisão da Justiça Eleitoral. Nova investida faz parte de ofensiva em série contra campanha petista A ofensiva ocorre em meio a uma série de iniciativas judiciais da campanha do PL contra manifestações críticas ao candidato. Em outra ação, Flávio pediu a suspensão de 32 perfis no Instagram e a retirada de 221 publicações envolvendo artistas, parlamentares, sindicatos e veículos de comunicação. Advogados ouvidos pelo ICL Notícias alertaram que medidas amplas contra conteúdos políticos, especialmente quando alcançam manifestações futuras, podem ameaçar a liberdade de expressão e a participação pública. O caso coloca em discussão os limites entre a proibição do financiamento eleitoral irregular por entidades sindicais e o direito de organizações e cidadãos manifestarem suas preferências políticas. A legislação impede que sindicatos financiem campanhas, mas não proíbe automaticamente manifestações de apoio ou críticas a candidatos. Caberá ao TSE avaliar se houve abuso eleitoral e se as medidas solicitadas têm fundamento legal, sem transformar a apuração de possíveis irregularidades em restrição genérica ao debate democrático.