Itália suspende fronteiras com a Espanha após crise migratória em Ceuta

O governo da Itália oficializou, nesta sexta-feira (31), a suspensão temporária das fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha em resposta à crise migrat...

 Itália suspende fronteiras com a Espanha após crise migratória em Ceuta
Itália suspende fronteiras com a Espanha após crise migratória em Ceuta (Foto: Reprodução)

O governo da Itália oficializou, nesta sexta-feira (31), a suspensão temporária das fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha em resposta à crise migratória provocada pela chegada de milhares de pessoas ao enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. Com a decisão, fica interrompido, de forma excepcional, o regime de livre circulação previsto pelo Acordo de Schengen entre os dois países. A medida foi formalizada pelo ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, um dia após o anúncio feito pela primeira-ministra Giorgia Meloni e pelos vice-primeiros-ministros Antonio Tajani e Matteo Salvini. A decisão ocorre em meio ao aumento da pressão migratória sobre Ceuta, cidade espanhola que faz fronteira com o Marrocos. Segundo o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, cerca de 60 mil migrantes cruzaram a fronteira nos últimos dias, número equivalente a aproximadamente 70% da população da cidade, estimada em pouco mais de 80 mil habitantes. Diante da situação, Vivas classificou a crise como "absolutamente insustentável". Em publicação nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a suspensão é uma medida necessária para proteger a segurança dos cidadãos e reforçar o controle das fronteiras da União Europeia. Segundo ele, a crise evidencia que a proteção das fronteiras externas do bloco é uma responsabilidade compartilhada entre os países-membros e exige ações coordenadas para conter fluxos migratórios irregulares. A decisão italiana foi criticada pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Também pelas redes sociais, o líder espanhol afirmou que "a solidariedade e a empatia são opcionais, mas o respeito pelos tratados e pelas normas europeias não é", em referência ao acordo de livre circulação entre os países da União Europeia. Apesar da gravidade da situação, o Ministério do Interior da Espanha informou que a maior parte dos migrantes já iniciou o retorno ao Marrocos. Até o fim da tarde desta sexta-feira, cerca de 48,3 mil pessoas haviam deixado Ceuta, em um ritmo de aproximadamente 150 saídas por minuto, segundo o governo espanhol. A crise também deixou vítimas fatais. As autoridades confirmaram a morte de pelo menos 57 pessoas durante a travessia, a maioria por afogamento, enquanto equipes de resgate seguem realizando buscas na região. De acordo com uma fonte policial ouvida pela agência France-Presse (AFP), o fluxo de migrantes continuou durante toda a noite e milhares de pessoas seguiram chegando ao enclave espanhol, ainda que em ritmo menor do que o registrado ao longo do dia.