Governo envia ministros ao Mato Grosso do Sul para apurar ataques contra indígenas após eleições
Uma comitiva do governo federal desembarcou em Mato Grosso do Sul neste sábado (31) para apurar denúncias de agressões, ameaças e violações de direitos humanos ...
Uma comitiva do governo federal desembarcou em Mato Grosso do Sul neste sábado (31) para apurar denúncias de agressões, ameaças e violações de direitos humanos contra comunidades indígenas após o segundo turno das eleições. A missão foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O grupo reúne os ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; e Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania. Também participam as deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá. Neste sábado, a comitiva visitou a aldeia Taquaperi, em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. O roteiro prevê ainda uma passagem pela aldeia Sassoró, em Tacuru, onde foram registradas ameaças contra moradores. Áudios mencionam envenenamento da água A visita à aldeia Sassoró ocorre após a circulação de áudios atribuídos a dois servidores da prefeitura de Tacuru. Em uma das gravações, um homem sugere colocar veneno na água consumida pelos indígenas e afirma: "Tem que matar essas pragas na água". A prefeitura confirmou que os dois envolvidos são funcionários municipais e informou que ambos foram afastados das funções e respondem a processos administrativos. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), perícias preliminares não identificaram contaminação nos poços artesianos da comunidade. As ameaças e as gravações seguem sob investigação da Polícia Federal (PF). Governo investiga outros episódios de violência A força-tarefa também acompanha denúncias de outros ataques contra indígenas Guarani Kaiowá. Na quinta-feira (29), a casa de reza da liderança espiritual Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi destruída por um incêndio criminoso na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru. A deputada Célia Xakriabá afirmou que os episódios representam uma escalada de violência contra os povos originários e relacionou as hostilidades à mobilização indígena durante as eleições. A operação conta com a participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Força Nacional de Segurança Pública. O governo federal informou que pretende manter a atuação na região até a apuração dos crimes e a identificação dos responsáveis.