Brics critica tarifaço e cobra contenção diante de tensões no Oriente Médio
A Cúpula do Brics criticou o aumento de tarifas e outras barreiras impostas unilateralmente no comércio internacional e demonstrou preocupação com a escalad...
A Cúpula do Brics criticou o aumento de tarifas e outras barreiras impostas unilateralmente no comércio internacional e demonstrou preocupação com a escalada de tensões no Oriente Médio. A posição foi registrada na declaração final do encontro realizado neste fim de semana, em Nova Delhi, na Índia, que teve o Brasil representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Os países do bloco afirmaram que medidas tarifárias e não tarifárias adotadas de forma unilateral prejudicam o comércio e entram em conflito com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O documento não cita diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, embora China, Índia e Brasil estejam entre os países atingidos pelas tarifas norte-americanas. Na área internacional, os integrantes do Brics também pediram contenção diante do agravamento dos conflitos no Oriente Médio e na Ásia Ocidental. A declaração não menciona diretamente Irã, Estados Unidos ou Israel nesse trecho, mas ocorre em meio à guerra iniciada em fevereiro, após ataques de EUA e Israel contra o Irã. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, países integrantes do Brics e aliados dos norte-americanos. O texto defende que os países evitem medidas capazes de ampliar ainda mais a crise. A declaração adotou uma formulação diplomática para permitir consenso entre os integrantes, sem atribuir diretamente a responsabilidade pela escalada a nenhum dos envolvidos. A reunião também tratou da posição do Brasil nas instituições internacionais. O Brics voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para ampliar a participação de países em desenvolvimento. China e Rússia, que possuem assento permanente e poder de veto, reiteraram apoio para que Brasil e Índia tenham maior participação no organismo. O documento, porém, não afirma especificamente que o Brasil deve ocupar uma cadeira permanente. Os países ainda defenderam avanços em sistemas de pagamentos internacionais com uso de moedas locais, sem propor uma moeda própria do Brics ou a substituição do dólar. A declaração também registrou uma iniciativa de Brasil e África do Sul para criar um painel internacional dedicado ao combate à desigualdade.