As pessoas não conheciam a dramaturgia negra, diz ator sobre criação do Melanina Acentuada Festival

O ator, dramaturgo e produtor cultural Aldri Anunciação explicou como surgiu o Melanina Acentuada Festival, que está em sua 8ª edição em Salvador. Em entr...

As pessoas não conheciam a dramaturgia negra, diz ator sobre criação do Melanina Acentuada Festival
As pessoas não conheciam a dramaturgia negra, diz ator sobre criação do Melanina Acentuada Festival (Foto: Reprodução)

O ator, dramaturgo e produtor cultural Aldri Anunciação explicou como surgiu o Melanina Acentuada Festival, que está em sua 8ª edição em Salvador. Em entrevista ao Metropole Mais, nesta sexta-feira (31), ele contou que a ideia do evento nasceu em 2012, após uma entrevista coletiva em São Paulo revelar o desconhecimento do público sobre a dramaturgia negra no país. Segundo Aldri, durante a divulgação de um espetáculo, um jornalista afirmou que ele seria "o único ou um dos únicos escritores negros para teatro" no Brasil. O comentário causou constrangimento entre os artistas presentes, entre eles o ator Flávio Bauraqui e o diretor Lázaro Ramos, e evidenciou uma lacuna no reconhecimento da produção dramatúrgica negra. "Ali a gente viu que existia uma lacuna. As pessoas não conheciam os trabalhos da dramaturgia negra", afirmou. O dramaturgo explicou que essa invisibilidade foi o principal motivo para criar o festival. "Temos que criar um evento para que essas pessoas apareçam, para catalisar esses caras e essas meninas que escrevem para teatro e colocar essas peças juntas", disse. De acordo com ele, a primeira edição foi realizada em São Paulo, passou pelo Rio de Janeiro e, posteriormente, se estabeleceu na Bahia. Neste ano, o Melanina Acentuada Festival acontece entre os dias 28 de julho e 3 de agosto e homenageia os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN). A programação reúne espetáculos, oficinas, leituras dramáticas, entrevistas públicas, lançamentos de livros e outras atividades voltadas à valorização da dramaturgia negra contemporânea. Entre os destaques estão os espetáculos "MACACOS", de Clayton Nascimento, "Namíbia, Não!", de Aldri Anunciação, além das estreias de "TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira" e "Black Machine". As atividades acontecem em espaços como o Goethe-Institut Salvador, Teatro Sesc Casa do Comércio, Teatro Jorge Amado, Teatro Martim Gonçalves e SESI Rio Vermelho. Os ingressos para os espetáculos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), enquanto as ações formativas e encontros têm entrada gratuita.