Após rejeitar renúncia e adiamento, Senado do Paraguai retoma impeachment de Santiago Peña
O Senado do Paraguai retomou nesta sexta-feira (6) o julgamento do impeachment do presidente Santiago Peña, um dia depois de o Congresso rejeitar sua renúncia. ...
O Senado do Paraguai retomou nesta sexta-feira (6) o julgamento do impeachment do presidente Santiago Peña, um dia depois de o Congresso rejeitar sua renúncia. O chefe de Estado enfrenta acusações de conflito de interesses e favorecimento ao Ueno Bank, instituição financeira cuja quebra provocou uma crise econômica e política no país, deixando cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas bancárias. Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), alegando necessidade de preservar a estabilidade política e institucional do país. A tentativa de deixar o cargo, porém, não foi aceita pelo Congresso, que decidiu levar adiante o processo de destituição. Parlamentares argumentam que a renúncia permitiria ao presidente assumir a condição de senador vitalício, com prerrogativas que poderiam dificultar sua responsabilização judicial. O presidente pediu um prazo adicional de 72 horas para apresentar sua defesa. Segundo ele, a notificação recebida na noite de quinta-feira continha uma acusação de 15 páginas, acompanhada de aproximadamente 300 páginas de documentos. Peña considera insuficiente o tempo concedido para responder às denúncias. Contudo, a solicitação foi negada. Crise originada na quebra do Ueno Bank A crise começou após a intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, na terça-feira (3). A fiscalização identificou graves problemas de solvência e suspeitas de empréstimos irregulares a empresas ligadas aos controladores da instituição. O banco concentrava aproximadamente US$ 800 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos da previdência social. Peña foi acionista de uma empresa vinculada ao grupo controlador até março de 2025. A Câmara dos Deputados aprovou a abertura do impeachment com 78 votos favoráveis. Para que Peña seja destituído, serão necessários pelo menos 30 votos entre os 45 senadores. O presidente nega responsabilidade pelas irregularidades e afirma que colaborará com as investigações. O vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, escapou de um processo semelhante após a Câmara rejeitar a acusação contra ele. Caso Peña seja afastado, Alliana assumirá a Presidência até agosto de 2028, quando termina o atual mandato. A crise já provocou investigações criminais contra dirigentes do banco e aprofundou o desgaste do governo paraguaio.